A Internet das Coisas na Construção Civil
Por Bruno Soares
A comunicação instantânea entre o usuário e o fornecedor do serviço e a coleta e compartilhamento de informações em tempo real são avanços tecnológicos almejados por qualquer gestor de projetos. E eles estão cada vez mais próximos de serem colocados em prática com o crescimento das descobertas no campo da IoT (“Internet of Things”, em inglês).
Conceito que consiste na ideia da fusão do “mundo real” com o digital, proporcionando uma comunicação e interação constantes entre pessoas, e entre pessoas e objetos por meio da Internet, a IoT já é realidade em muitos segmentos. Na construção civil, particularmente, é a grande tendência para os próximos anos.
Um canteiro de obras automatizado, com dispositivos permanentemente conectados à internet e trocando dados entre si, evitaria a operação manual de controle dos estágios da obra e agilizaria serviços como pedidos de materiais, por exemplo.
Em entrevista para a Finestra – revista dirigida para arquitetos e construtores – o professor Fabiano Corrêa, especialista do Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), falou sobre algumas iniciativas no mundo que se aproximam da aplicação do conceito da indústria 4.0 na construção civil.
“Na Inglaterra, por exemplo, uma empresa já usa sensores de temperatura na concretagem de lajes e pilares. Com isso, é possível ter um controle muito mais fino do tempo de cura. O Japão é um país que consegue combinar a agilidade e precisão das máquinas com a flexibilidade dos seres humanos. Lá, o conceito de Smart Factory (fábrica inteligente) é bem forte”.
No Brasil, segundo o professor, ainda não temos nada similar, mas no departamento da USP estão sendo desenvolvidas pesquisas para uma solução integrada ao BIM (“Building Information Modeling”) com algumas tecnologias de sensoriamento via etiquetas de RFID (“Radio Frequency Identification”). “Trata-se de um método de identificação automática através de sinais de rádio, que permite o gerenciamento de materiais no canteiro, evitando perdas e desperdícios. Também temos a tecnologia de ultra wideband, uma espécie de GPS para ambientes fechados, que permite o rastreamento de equipes de trabalho para o melhor gerenciamento de pessoal em obra”, explicou o especialista.
O BIM já é uma realidade no trabalho da Aiza. Vamos falar mais sobre isso na próxima semana!
